quarta-feira, 28 de dezembro de 2011

O poeta e a bailarina (Sextina)

Um papel no bolso deste poeta
É um procurar por inspiração
Este ofício que nos ensina a musa
E que nos faz dar vida nova à pena
Basta a visão de duas sapatilhas
Porque sobre elas vê-se a bailarina

A este olhar é só encanto a bailarina
Serventia tem a folha do poeta
O mundo é um par de sapatilhas
O mundo é sua grande inspiração
Há razão para o escrever de sua pena
Há canção naquilo que diz a musa

Que canto suave possui esta musa
Como gira com graça a bailarina
Escrever é tudo o que faz a pena
Pelo engenho e pela arte do poeta
Que agora encontrou nova inspiração
Não na dor no peito e sim sapatilhas

Estes olhos seguem as sapatilhas
Que dão graça e movimento a sua musa
Cada movimento é uma inspiração
Lhe inspira a dançar como a bailarina
Mas não cabe este dançar ao poeta
Seu dever e tradição é sua pena

Como o papel espera pela pena
Assim pés esperam por sapatilhas
Mas quem esperará pelo poeta?
E para quem será o canto da musa?
E quem esperaria que a bailarina
Fizesse brotar nova inspiração?

E já não há falta de inspiração
E nem falta trabalho para a pena
Sobram movimentos à bailarina
Para estes dois pés bastam sapatilhas
E se é verdade que existe uma musa
É verdade que existe este poeta

E esta musa é mais que inspiração
A bailarina sabe usar a pena
E o poeta quer duas sapatilhas

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