quinta-feira, 25 de agosto de 2011

Quando a beleza deitou-se sob um céu estrelado

Queria lhe mandar noticias, daqui de onde estou, mas não sei precisar a que distância me encontro ou quanto tempo levará até que eu esteja de volta. Mas o meu desejo de voltar é minha companhia constante nesta terra estranha.

E penso em lhe escrever dizendo quem eu ainda sou, com quem eu agora me pareço, mas nada por aqui parece ser o mesmo por muito tempo. E os meus sonhos se repetem todas as noites nesta terra distante.

Em cada lugar me detenho um pouco, mas logo que chego já estou pensando em partir. Meus fantasmas me perseguem eu procuro por você.

Quando em algum sorriso me detenho um pouco mais, me entorpeço em um esquecimento que quase me faz desaparecer. E eu luto contra o desejo de não querer lutar. E eu luto contra o desejo não querer se deixar ficar. E me pergunto por quanto tempo um novo sorriso permanecerá em meu caminho.

E o meu caminho é lutar e me preparar para a luta. Só que estar preparado para o combate e mais desgastante do que realmente combater. Então, quando eu chegar, combalido de batalhas infrutíferas e com a guarda baixa – não por finalmente crer que o perigo se foi e sim apenas por não mais querer guerrear – não avance contra meu flanco desprotegido. E quando o meu olhar estiver perdido em algum ponto no horizonte, não se aproxime sorrateiramente com o intuito de me subjugar. Ao invés disso, baixe também a sua guarda, mergulhe em pensamentos vazios e deixe seus olhos marejarem-se diante de toda beleza que existe no mundo.

Mas se não fores capaz de ver beleza na opacidade de tudo o que lhe cerca, invente uma beleza qualquer e deixe-se levar por esta sensação que, se não lhe liberta, ao menos não lhe prende nem paralisa.

Porque eu quero lhe encontrar assim: olhar perdido no nada, pensamento distante de tudo, o corpo nu e o espírito liberto; deitada sobre a relva, sob um céu de estrelas.

3 comentários:

Fernanda Elisa disse...

Ai, caramba! Mas que baita texto esse aqui. Adorei, Stive, salvei vários trechos comigo... Puxa, muito bonito, viu!

Olha... ultimamente nada anda tão parecido comigo quanto essa descrição que vc fez: "E eu luto contra o desejo de não querer lutar."

Adorei!

Anônimo disse...

Stive, como sempre palavras lindas. bjs Nilde

Anônimo disse...

Tudo de bom para vc. bjs Nilde