segunda-feira, 23 de agosto de 2010

Enamorado?

Não é que a vida longe dela seja ruim, não, não é. Mas tão pouco sei dizer se a vida longe dela é boa. Acho que é apenas comum. Corriqueira. Neutra. Tal qual as amenidades inseridas nos jornais diários para preencher vazios em pauta. Prestam-se à distração. Nos fazem ver o tempo passar sem pensar no tempo que se passa. Assim é a vida longe dela. Dias que viram semanas que viram meses. E a vida vai e o tempo passa e você não se importa, ou finge não se importar.

Mas, espere um momento, preciso falar. Isto incomoda. Incomoda às vezes não saber se já não me importo ou se estou apenas fingindo não me importar. Me incomoda saber que por vezes me esqueço dela. E acho isso estranho. Por que ela deveria ser uma cicatriz difícil de cicatrizar, uma ferida que latejaria nos dias frios e incomodaria nos dias quentes. A menção de seu nome deveria desacelerar os meus batimentos cardíacos e baixar minha pressão arterial. Mas diante da estranha que se apresenta a mim com o nome dela, sorrio mecanicamente e me despeço com um agradecimento. Assim. Impassível. Como quem ouvisse aquelas três sílabas pela primeira vez.

Desse jeito, longe dela e de todo seu feitiço, as lembranças me vêem tão irreais que quase não acredito nelas. Porque houve um tempo em que a menção deste nome, mesmo que não fosse uma menção a ela, desaceleraria tudo ao redor. Vertigem entorpecedora. Ah! Tão pouco crível crer que o som daquela voz que fora um dia a mais bela melodia, transformara-se em navalha a rasgar carne crua. Como é que eu poderia conseguir convencer alguém de que a companhia que eu sempre procurara para alegrar dias sombrios tornou-se a mesma companhia que eu evitava para fugir das sombras que me perseguiam? Paradoxo alienador.

Não, isso tudo apenas se assemelha a um sonho ruim, pois, na sucessão de dias que se tornam semanas na esperança de virarem meses, ela retorna e, já agora, todos os homens têm novas razões para lançarem-se ao mar em busca de um novo mundo...

Ah! Muitos irão negar tal fato, mas eu sei que a Terra deixou de mover-se por um segundo, durante o tempo que levou entre o pensamento e a ação de nossos lábios se tocarem.

1 comentários:

Fernanda Elisa disse...

Uau! Me identifiquei muito com o texto, Stive. E tentei lê-lo desvinculando qualquer relação que pudesse se estabelecer com a minha vida. Consegui e não consegui.

Lindo texto!