É bom saber que suas mãos permanecem ao alcance de meu abraço;
Nada além do que você e eu é o que meus olhos conseguem enxergar nesta clareira;
E tudo está bem, porque o seu sorriso desfez todo o meu cansaço;
É bom saber que podemos nos aquecer tranquilamente ao redor de nosso pequeno fogareiro;
Agora que aproxima-se o momento em que os lobos deitam fora suas vestes de cordeiro.
Relembrando os caminhos por onde andei e os lugares onde estive;
As canções que eu cantei e os sonhos que eu tive;
É bom saber que agora me sinto mais confiante do que outrora;
Mas, se meu discernimento me foi pouco antes, será suficiente agora?
Como distinguir com certeza o que é irreal do que é verdadeiro;
Enquanto os lobos não deitam fora suas vestes de cordeiro?
Pensando nos caminhos tortuosos que percorrem os rios bravios que anseiam pelo encontro com o mar;
Tento não me esquecer que entre duas tempestades há sempre uma calmaria;
E que é bom poder olhar para trás sem se sentir vazio e sem se desesperar;
Viver a vida sem deixar-se seduzir pelo canto suave da nostalgia;
Porque nenhuma dor ou sofrimento é eterna, tudo é passageiro;
É bom lembrar-se disto, pois os lobos já deitam fora suas vestes de cordeiro.
Rasgando meu peito num rompante só para ver meu próprio sangue escorrer;
Bebo em seus lábios as palavras que já me sinto incapaz de soletrar;
Temendo me tornar alguém que, na vida, não tenha o que temer;
Me apoio em seus braços para emprestar algum ritmo ao meu descompassado claudicar;
É bom sentir que sua luz diminui as sombras do caminho, minha doce flor de pessegueiro;
Dessa forma nem me importo que os lobos deitem fora suas peles de cordeiro.
1 comentários:
Admiro as pessoas que conseguem não ser tocadas pela nostalgia, essa doce ilusão de que o passado sempre foi melhor, ou de que poderíamos tê-lo aproveitado melhor!!!
Belo texto!!!
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