Queria poder te explicar sobre esta força que, por estar mal direcionada e sem controle, me desviou do caminho me fazendo crer que não havia como voltar. Queria te contar de minha surpresa ao ver esta mesma força ser subjugada por quem, teoricamente, não teria condições de subjugá-la. Do meu espanto ao me deparar com a beleza de coisas que nunca acreditei que pudessem conter beleza alguma. De como busquei abrigo e encontrei conforto em lugares onde nunca quis estar. Queria te falar desse grito contido em meu peito, da minha pusilanimidade travestida de segurança, de meus preconceitos dissimulados, de minhas feridas mal cicatrizadas; mas o sol se põe em seu olhar e me inebrio com a noite que cai e me compadeço daqueles que, como eu, insistem em sentir-se injustiçados pelo mundo quando eu sei (sabemos?) que os mais injustiçados não tem nem mesmo voz para reclamar das injustiças. Apenas sonham com a paz, mas vivem dentro da guerra.
Mas o que eu queria mesmo era não precisar falar coisa alguma. Queria poder esquecer, nem que fosse por alguns minutos, quem eu fui; deixar de pensar quem eu serei. E ser o que sou neste momento. Quiçá meu olhar se mostrasse mais claro, sem medos ou anseios. E assim seria mais transparente. Sem nada pra esconder. Sem coisa alguma a se descortinar no horizonte. Não vazio. Apenas tranqüilo. Não resignação. Determinação comedida. Até porque de nada vale muita força e pouco controle. É preferível dobrar-se ao vento que lhe atiça a partir-se em dois ao tentar contra atacar o que nem ao menos se apercebe de ti.
Aqui estou eu, olhar tranquilo, porém atento. Postura descontraída, contudo prontidão. E ainda que desconfiando de que tudo que se move e respira, de peito aberto para o mundo sem temer as novas feridas que poderão vir e virão.
Olho para os vultos que já se distinguem em meio à névoa. Dentre tantas silhuetas, reconheço você. A se aproximar sem pressa. A querer sem querer. E conversamos em silêncio. E a compreensão vem sem precisar de explicação. É certo apenas porque parece ser certo.
E você vem e eu espero...
E se você espera sou eu quem vou...
E vou em paz, querendo paz, buscando a paz...
Não me declare guerra.
4 comentários:
Sem medo e sem anseios não creio que a literatura fosse tão apreciável. As turbulências provindas da mente e do emocional do ser humano dão vazão às maiores pérolas que temos...as palavras cheias de emoção e intensidade que fazemos jorrar com o intuito de diminuir a pressão existente dentro de nós. Essa ânsia de falar, desabafar, não pode parar.
Que texto lindo, Stive!
Trouxe-me tanta paz...
Fiquei copiando trechos de que mais gostei, mas logo desisti quando percebi que estavailuminando o texto inteiro.
Palavras lindas!
Vc está cada dia melhor.
Um dádiva poder lê-lo!
Beijooos,
Estava com saudades de passar por aqui.
Falar de paz proporciona uma paz tremenda.
'Até porque de nada vale muita força e pouco controle.'
Estupendo Stive. Muito bom, mesmo. Grande abraço.
Puxa! É dessa paz que estou precisando! "Não vazio. Apenas tranquilo."
Eu chego lá...
Belo texto, querido Stive!!!
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