Acenou de longe para ela como quem diz: "Estou indo na frente mas espero por você", ela concordou com um aceno e com um olhar e ele se foi sem pressa e sem vontade de ir mas, foi. Sozinho. Não é que ele se importasse de ir sozinho, não, não se importava com isto, se importava sim em não poder ir com ela. O que, apesar de parecer o mesmo de ir sozinho, não é, nem de longe, a mesma coisa.
Sabia que teria que esperar por ela e por isso preocupou-se, não consigo mesmo, mas com ela. Não se importava em ter que esperá-la, mas sabia que ela não gostava de ter que deixá-lo esperando.
E ele ficou ali olhando para as coisas e para as pessoas que, às vezes, iam e vinham e, sem se importar muito com os minutos que passavam ouviu o telefone tocar e é claro que ele sabia que era ela e também sabia que assim que atendesse o telefone ela lhe perguntaria se ele não queria ir embora. Profecia cumprida, ele disse um não determinado, que ele esperava que soasse algo como: "Prefiro ir com você". E diante de sua negativa ela lhe disse que se demoraria ainda mais um pouco, mas que já estava quase saindo.
Mais rápido do que ele esperava, porém, muito depois do que ela gostaria, ela saiu e, como ele já esperava, ela se desculpou e, como ela gostaria que fosse, ele aceitou suas desculpas lhe dizendo que não fora assim tanto tempo como ela pensa que foi.
E eles se foram.
Se esta cena tivesse ocorrido ao contrário não teria o mesmo fim. Ela não esperaria por ele durante o mesmo tempo, ao menos não com a mesma paciência e, se esperasse, no momento em que ele ligasse lhe dizendo que ainda se demoraria um pouco mais, ela diria que iria embora. É bem provável que ligasse antes disso para dizer que estava indo embora. Sozinha. Pois para ela ir embora sozinha e ir embora sem ele é a mesma coisa.
São diferentes, mas, não são diferentes de uma forma ruim. Negativa. Não, não são como água e óleo. Este tipo de diferença traz desarmonia e desentendimentos. Eles são diferentes de uma forma mais positiva. Boa. Harmoniosa. Acredito que eles são mais como o café e o leite. Duas coisas singulares que, sozinhas, têm suas próprias características e peculiaridades mas que quando se misturam transformam-se em uma outra coisa que pode tanto ser tão boa quanto a soma das primeiras ou quiçá ainda melhor.
Formam um bonito par estes dois. Gosto de vê-los juntos.
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