sexta-feira, 3 de abril de 2009

Dez coisas que eu odeio em você

Dizem que a razão que pode nos levar a odiar uma outra pessoa é o desejo de querer ser igual a ela e não poder sê-lo. Vemos no outro tudo aquilo que gostaríamos de ter e não temos, tudo aquilo que gostaríamos de ser e não somos. E por não termos, por não sermos, passamos a desdenhar, a querer mal. Agimos como a raposa na fábula das uvas, que chega a conclusão de que as uvas são verdes, apenas porque não consegue alcançá-las. Mas, mesmo desdenhando as uvas, ela, a raposa, bem que gostaria de poder provar o gosto daquelas uvas de aparência tão agradável.

Esta relação amor/ódio fica bem explícita no filme Dez coisas que eu odeio em você. Neste filme, num determinado momento, uma menina recita um poema cujo título dá nome ao filme, e o faz na sala de aula, na presença do garoto de quem ela gosta. Apesar de gostar muito do rapaz, ela tem lá os seus motivos para acreditar que ele não goste dela, então, por causa disto, desta certeza de saber que não pode ser, que nunca será como ela quer, ela tenta acreditar que aquilo não é suficientemente bom para ela. Olha para as uvas que estão longe de seu alcance e diz:
- Estão verdes.


"I hate the way you talk to me and the way you cut your hair.
I hate the way you drive my car. I hate it when you stare.
I hate your big dumb combat boots and the way you read my mind.
I hate you so much it makes me sick. It even makes me rhyme.

I hate it...
I hate the way you're always right. I hate it when you lie.
I hate it when you make me laugh; Even worse when you make me cry.
I hate it when you're not around and the fact that you didn't call.
But mostly I hate the way I don't hate you;
Not even close, not even a little bit. Not even at all".


"Eu odeio o modo como você fala comigo e o jeito que você corta o seu cabelo.
Eu odeio o jeito que você dirige meu carro. Eu odeio quando você me encara.
Eu odeio suas brigas infantis e o modo como você lê minha mente.
Eu lhe odeio tanto que isto me deixa doente, mesmo quando eu consigo rimar.

Eu odeio...
Eu odeio quando você está sempre certo. Eu odeio quando você mente.
Eu odeio quando você me faz sorrir. Odeio muito mais quando você me faz chorar.
Eu odeio quando você não está por perto e o fato de você não me ligar.
Mas eu odeio muito mais a forma como eu não lhe odeio;
Nem um pouco, nem mesmo um pouquinho. Não totalmente".


Post Scriptum: Da série: Coisas antigas que a gente acaba relendo e reescrevendo.

1 comentários:

Fernanda Elisa disse...

Já dizia o ditado: "Quem desdenha, quer comprar!".

E, ainda embriagada pelas minhas leituras FlorbelaEspanquianas, descubri que, talvez, o diretor desSe filme também tenha dado uma lidinha na poeta portuguesa.

Veja só este trecho:

"Odeio teu doce sorriso,
Odeio teu lindo olhar,
E ainda mais a minha'alma
Por tanto e tanto te amar"

Parecido não?

Começo do século passado as mulheres já diziam isso. E continuamos a sofres dessa coisa chamada DESDENHO DE AMOR.