Ele não queria explicações, não queria entender o que sentia. Ele queria apenas sentir. Não esperava que alguém viesse lhe explicar este encantamento produzido pelo sorriso dela, nem queria entender por que o fato de que quando os cabelos dela estavam presos em um coque improvisado, isto lhe emprestava uma beleza ainda maior do que antes. Seus olhos apenas a seguiam pelas ruas e acompanhavam o gingado de seu corpo que, lentamente, ora requebrava para a esquerda, ora para a direita, como a seguir o ritmo de uma música extremamente lenta e bela.
E o que dizer do toque daquelas mãos e do ar expirado por aqueles pulmões que ele procurava sorver quase que totalmente num total entorpecimento de seus neurônios que não lhe permitiam ver nada mais além do que os lábios dela, ligeiramente abertos e úmidos, esperando pelo seu toque? Como explicar isto tudo se, no momento em que ele sente o calor do corpo dela junto ao seu, tudo ao redor perde o significado e a significância? Como dar um nome a isto? Como mensurar? Como explicar? Ele não sabe, e, por não saber, apenas vive, apenas sente; e por viver e sentir, acredita.
Ele vive algo que não sabe nomear. Sente algo que não pode medir. Acredita em coisas que não pode explicar. Porém, ninguém duvida que seja feliz.
2 comentários:
Sempre vivemos algo que não sabemos nomear, sentimos o que não se pode medir e acreditamos em coisas que não se explicam. E fora de nós, ninguém duvida de que somos felizes. Mas de nossas mazelas só nós sabemos, não é? rs
Gostei daqui. Abraços. :)
Concordo com a Judith aqui em cima. Mas não quero lembrar das mazelas agora. Seu texto me deu, digamos assim, esperança...sabe como é?
Queria tanto não saber das coisas e ser feliz! O problema é que porque sei, sofro...ai ai ai!
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