(I know, that's a scareful process but I need to).
(Eu sei, isto é assustador, mas eu preciso fazê-lo).
"When I was a little, used to dream I was a king. Now, they taught me how to sing. Think I've got most everything I could ever ask for".
O fato é que essa canção tem versos iniciais tão profundos (ao menos na minha concepção de profundidade): "Eu ouço sempre os mesmos discos, repenso as mesmas idéias". Não seria capaz de fazer uma descrição de mim mesmo que fosse melhor que esta. Sou assim, rumino pensamentos e, ultimamente, o pensamento que não quer me abandonar é o que eu quero chamar de "a arte de não reclamar". Não que o ato de não reclamar seja realmente uma arte, mas deveria ser visto como tal, pois é necessário muita força de vontade e persistência para dar fim a lamúrios eternos e desnecessários.
Não sou do tipo de pessoa que reclama da vida, não que minha vida esteja 100% boa e nada precise ser mudado, apenas acredito que reclamar por reclamar não leva a lugar algum. Logo, pessoas que reclamam da vida (seja do tempo que nunca está do modo como elas gostariam que estivessem ou um companheiro(a) que não lhes compreendem) me desagradam sobremaneira. Mas, voltando à arte proposta anteriormente, sou da opinião que antes de reclamar sobre/com alguém ou alguma coisa, deveríamos nos fazer duas perguntas simples e, se a resposta for positiva para estas duas perguntas, fazer a reclamação, caso contrário, deixemos o silêncio falar mais alto. O universo agradece e eu também.
A primeira pergunta que eu faço a mim mesmo antes de reclamar de/com algo ou alguém é a seguinte: A minha reclamação poderá mudar alguma coisa? Se sim, deixe-me botar a boca no mundo, se não, de que me vale gastar energia em algo que eu sei que não me trará retorno algum?
Mas, se a resposta à primeira pergunta for um sim, farei, ainda, uma nova pergunta em cima da primeira. Sabendo que a minha reclamação pode trazer alguma mudança, pergunto aos meus botões, aguardando uma resposta sincera: Eu realmente quero que alguma coisa
mude?!
Às vezes reclamamos de coisas tão automaticamente que nem nos damos ao trabalho de pensar como aquilo que nos incomoda agora poderia nos incomodar no futuro se realmente mudassem, se fossem diferentes. Pode até parecer uma visão excessivamente pragmática da vida, mas eu creio que tudo pode mudar tanto para o mal, como para o bem, logo, mudar não significa necessariamente melhorar. Parece, para mim, que, às vezes, as pessoas se esquecem disto.