quarta-feira, 26 de novembro de 2008

Aqueles dois

Encontraram-se pela primeira vez pelos corredores da escola. Trocaram olhares e em meio a tantas trocas de olhares perceberam o quanto era bom poder olhar e ser olhado. Como se o olhar do outro lhe cobrisse de uma luz diferente, uma espécie de manto que lhe fornecia calor e lhe proporcionava um novo tipo de prazer , totalmente desconhecido, porém agradável.

Como àquela época ainda desconhecessem o fluxo das coisas e não soubessem para onde aquela onda de calor desconhecido levava todas as pessoas, ficaram ainda na troca de olhares por muito mais tempo do que em tempos futuros ficariam, o que não foi exatamente um problema, pois, tinham no momento o mesmo ritmo e a mesma falta de urgência para todas estas coisas, até então, desconhecidas.

Mas, um dia, mesmo que sem pressa e sem urgência, os olhares se aproximaram, os corpos se uniram e os lábios se tocaram pela primeira vez. E ainda que discretamente e mesmo que timidamente as mãos se encontraram, se tocaram e se entrelaçaram.

Os lábios não se moviam e, assim sendo, não proferiam palavra alguma que, se proferida, mostrariam que agora se iniciava uma urgência que antes não havia. As mãos, talvez já cansadas de tocar apenas outras mãos começavam a aventurar-se pelo corpo do outro, encontrando e proporcionando prazeres ainda adormecidos.

Não havia reservas, nem receios. Tudo era novo, desconhecido e maravilhoso. Os lábios descobriam que era bom beijar e ser beijado. O corpo, como um todo, percebia o quanto era bom tocar ou mesmo ser apenas tocado. Um mundo novo se descortinava diante de tanto prazer e alegria.

Porém, não muito longe de onde eles estavam, e mesmo estes dois ignorando totalmente tal fato, um corpo agonizava em dor e uma alma ansiava por liberdade, porque o mundo exige equilíbrio para todas as coisas.

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